O Convento do Carmo em "Silva Minhota", 1956 de Leonídio de Abreu Biblioteca Digital Cávado    É o largo do Carmo um dos mais espa...

O Convento do Carmo

O Convento do Carmo
em "Silva Minhota", 1956
de Leonídio de Abreu
Biblioteca Digital Cávado 



  É o largo do Carmo um dos mais espaçosos de Guimarães. Embora, oficialmente, se chame de Martins Sarmento, em homenagem, bem justa, ao notável arqueólogo vimaranense e glória da cultura nacional,
que naquele mesmo local viveu e morreu, a verdade é que prevaleceu, entre a maioria da gente da cidade, a sua antiga designação. Esta proveio-lhe do convento que, em honra de Santa Teresa, piedoso
anónimo mandou erguer na extinta rua da Infesta.
  Segundo o P.º Carvalho da Costa, na sua Corografia Portuguesa, a primeira pedra do edifício foi lançada solenemente no dia 26 de Março de 1685. No dia 8 de Abril do ano seguinte já na igreja se celebrava a primeira missa. Contudo, só em 13 de Março de 1687, ainda, ao que parece, com o edifício por concluir, algumas donzelas tomaram o hábito de carmelitas, como recolhidas, por a essa data não estarem confirmadas religiosas. Para tanto, necessitaram de autorização do respectivo provincial da Ordem, Frei Pedro da Purificação. Estes factos passaram-se no tempo do Arcebispo Primaz D. Luís de
Sousa, que tanto se evidenciou em Roma onde, como embaixador, defendeu o Tribunal do Santo Ofício, então calorosamente impugnado pelos cristãos novos. 
  Só, porém, em 1704, já quando a cadeira primacial de Braga se encontrava ocupada pelo glorioso Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, foi recebida a Bula de Clemente XI, autorizando aquelas recolhidas a tomarem o véu de religiosas carmelitas calçadas.
  Parece ter sido por essa época que o novo convento trocou a sua primitiva invocação pela de S. José, cuja imagem se encontra na edícula superior da portada da igreja. Como, porém, em lugar de honra do altar-mor havia a imagem de Nossa Senhora do Carmo, o povo imediatamente começou a dar esta invocação ao convento e ao templo, e daí o nome porque a nova instituição ficou a ser conhecida.
  Este convento, que tão grata memória deixou, foi extinto em 1834. Com a morte da última freira, ocorrida em 1850, passou para o Estado, que nele instalou o hospital do Batalhão de Caçadores 7, ao tempo aquartelado em Guimarães. A igreja, por sua vez, foi entregue à Confraria de Nossa Senhora do Carmo, nela erecta.
  Após a morte de D. Pedro V, e como o edifício se encontrasse devoluto pela saída de Guimarães daquela unidade militar, houve a lembrança de honrar a memória da augusta esposa de tão saudoso
monarca, instalando nele, com a denominação de Asilo de Santa Estefâánia, uma instituição destinada a prestar assistência a meninas pobres.
  Levada a pretensão junto do Governo, este deferiu-a, cedendo o convento para o fim em vista, mas a título precário, por Carta de Lei de 5 de Julho de 1862. Nele se alojou depois o Asilo, cuja criação definitiva se ficou devendo, em grande parte, à generosidade e aos esforços do prestimoso benemérito Francisco António de Almeida.
  Esta modelar obra de assistência, que tanto honra Guimarães, é oficialmente conhecida por Asilo de Infância Desvalida de Santa Estefânia, Amor de Deus e do Próximo. Tem estatutos próprios,
reformados em 1936, e neles se consigna que se destina a «albergar, sustentar, vestir, instruir e educar na mais sã moral, dentro dos princípios fundamentais do Estado Novo, a infância desvalida do sexo feminino, preparando-a para, dignamente, formar a nova sociedade».
  Em frente do convento ergue-se um elegante chafariz que, durante muitos anos, ornamentou o largo do Toural.
  Data de 1583 e foi feito segundo risco de Gonçalo Lopes, mestre de pedraria, natural de Guimarães.

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