Estação Ferroviária de Guimarães, 2010 Fotografias de João Silvério  apeadeirodasvirtudes.blogspot.com 

Estação Ferroviária de Guimarães, 2010
Fotografias de João Silvério 
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Estação Ferroviária de Guimarães, 1972 Fonte: Ebay 

Estação Ferroviária de Guimarães, 1972
Fonte: Ebay 




O Liceu-Seminário de Guimarães  em "Silva Minhota", 1956 de Leonídio de Abreu Biblioteca Digital Cávado    Entre os edifícios anti...

O Liceu-Seminário de Guimarães 
em "Silva Minhota", 1956
de Leonídio de Abreu
Biblioteca Digital Cávado 


  Entre os edifícios antigos de Guimarães, dignos de referência especial, figura o do extinto convento de Santa Clara, onde actualmente se encontra instalado o Liceu que teve como patrono o eminente arqueólogo e vimaranense ilustre que foi o Dr. Francisco de Martins Sarmento.
  Está situado na rua Santa Maria, uma das mais típicas e curiosas artérias da cidade.
  Atribue-se a sua fundação, em 1548, a Baltazar Andrade, Mestre-escola da Colegiada Vimaranense, mas a primeira pedra do edifício só por ele foi lançada no dia 29 de Setembro de 1559. O acto ter-se-ia revestido do maior cerimonial, porquanto assistiram, além do Cabido local, o clero secular e regular e outras corporações religiosas de Guimarães.
No dia 12 de Agosto de 1562, entravam no convento as primeiras religiosas que, por sinal, eram filhas do próprio Baltazar Andrade e provinham do mosteiro de Santa Clara de Amarante: Helena, Joana e
Clara Andrade.
Este convento estava sujeito, imediatamente, ao Arcebispo Primaz de Braga, que, por um Breve do Papa Clemente VIII, não podia subdelegar em qualquer outra pessoa a jurisdição da visita.
O Agiológio Lusitano apresenta-o como extremamente pobre, onde «padeciam as religiosas necessidades, ainda no preciso sustento». Narra, a propósito, com o fim de realçar as virtudes da primeira Abadessa, Soror Helena da Cruz, dois casos extraordinários ali passados, devidos à falta, respectivamente, de pão e de azeite.
  Como a freira encarregada da despensa se lamentasse de não ter pão para dar à comunidade, a Abadessa tranquilizou-a, dizendo-lhe:
  -Não se incomode, Madre, que achará todo o pão necessário para o jantar, no lugar em que costuma recolhê-lo.
  De facto, indo ao armário, foi com manifesto regozijo e grandes louvores a Deus que encontrou todo o pão de que precisava.
  Com o azeite, o caso foi semelhante.
  É claro que estes factos, se verdadeiros, teriam contribuido imenso para envolver a Abadessa num ambiente do mais elevado prestígio que permitiria aumentar o orgulho que a restante comunidade revelava pela regra seguida na instituição.
  Lá que esta deixou boa fama de si, é inegável. Até em certas ocasiões era escolhida para retiro ou clausura de religiosas de outras casas, mesmo de Ordens diferentes, quando as circunstâncias impunham
essa necessidade.
  Helena da Cruz morreu em 4 de Agosto de 1590.
  O convento de Santa Clara exerceu notável influência em Guimarães, pois tornou-se, pela compostura das suas religiosas, muito respeitado e estimado e até preferido pelas filhas das principais famílias que pretendiam ingressar na vida monástica.
  Possuia uma igreja bastante valiosa pelas obras de arte que encerrava, de entre as quais sobressaia finissima talha policromada. Era azulejada e de tecto apainelado.
  Uma pequena parte do seu precioso recheio encontra-se hoje no Museu Reglonal de
Alberto Sampaio. A talha, porém, cedida, em tempos, para a igreja da Penha ardeu quando do incêndio que destruiu o santuário.
Lamentável foi que a igreja de Santa Clara não tivesse subsistido ao vandalismo a que a sujeitou uma época verdadeiramente iconoclasta. Bem merecedora disso era, especialmente pelas suas tradições religiosas, muitas das quais estavam ligadas à história da própria cidade de Guimarães. No mesmo local, foi, mais tarde, construido um ginásio...
  O convento, a princípio de proporções modestas, foi melhorado e ampliado em épocas sucessivas.
  Da fachada, em estilo barroco, destacava-se, ao centro, um nicho com a imagem de Santa Clara. Esta fachada foi executada, em 1741, pelo mestre de pedraria José Moreira que já, em 1735, construira o
claustro - interessante quadratura de dois corpos, de tipo acentuadamente clássico.
  O convento de Santa Clara, que chegou a albergar sessenta e duas religiosas, teve a mesma sorte dos restantes do país: foi extinto em 1834. Em 1887, ainda ali residia uma freira a quem o Arcebispo Freitas Honorato, no dia 15 de Novembro, ministrou a comunhão quando ali celebrou missa, na extinta igreja.
  Embora a Carta de Lei de 16 de Junho de 1848 autorizasse o Governo a extinguir as Colegiadas, as insignes, como a de Guimarães, eram mantidas. Contudo, por Decreto de 1 de Dezembro de 1869, foram todas suprimidas.
  Evidentemente que esta medida radical causou a mais dolorosa impressão aos vimaranenses que na Insigne e Real Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira tinham, e com justificada razão, um dos seus
maiores titulos de glória.
  Não faltaram representações ao Governo, tanto de entidades oficiais como particulares, valiosamente auxiliadas pelo Arcebispo Primaz D. António José de Freitas Honorato.
  Apesar dos resultados de tudo isto se não terem feito sentir imediatamente, o entusiasmo dos vimaranenses não afrouxou. Persistiram sempre e ao cabo de vinte e um anos conseguiram o que desejavam.
De facto, por Carta de Lei de 14 de Setembro de 1890, o Governo era autorizado a conservar e a reorganizar a Colegiada, devendo, porém, aplicar-se uma parte dos seus avultados rendimentos à manutenção de um instituto de instrução pública e gratuita denominado Pegueno Seminário
de Nossa Senhora da Oliveira e destinado a preparatórios do Curso Teológico.
  O quadro do pessoal seria constituido pelo Dom Prior, que presidiria e exerceria as funções paroquiais na igreja; e por dez colegiais, tendo sete o título de cónegos e os restantes de beneficiados. Áqueles e a um dos beneficiados era imposta a obrigação do ensino.
  O Arcebispo, que disso ficara encarregado, elaborou os estatutos não só da Colegiada como do Seminário, os quais foram aprovados pelo Governo, em 30 de Setembro de 1891. No entanto, três dias antes eram nomeados os cónegos que automáticamente se encarregariam do ensino no Seminário. Este ficou instalado, em condições deficientíssimas, no edifício do Priorado. Mal dispunha de acomodações para o internato de dezoito estudantes quanto mais para aulas. 
  Em face disto, foi alugada uma casa no largo de S. Tiago, onde as aulas passaram a funcionar.
  Ali se fez, em 29 de Novembro do mesmo ano, a inauguração do novo Seminário, a qual se revestiu do maior brilhantismo, pois ao acto assistiram Suas Majestades El-Rei D. Carlos e a Rainha D. Amélia, o Chefe do Governo, Conselheiro João Franco, o Arcebispo Primaz D. António José de Freitas Honorato e outras individualidades de acentuado relevo na vida da Nação.
  A abertura das aulas efectuou-se no dia 7 de Dezembro, com cento e vinte e sete alunos matriculados nas diferentes disciplinas. Os sete cónegos professores eram: Dr. Manuel de Albuquerque, Dr. António
Júlio de Miranda, Dr. Pedro Gonçalves Sanches, Dr. Manuel Moreira Júnior, Manuel José da Silva Bacelar, Alberto da Silva Vasconcelos e José Maria Gomes. O primeiro desistiu, sendo substituido pelo cónego António José Gomes Cardoso.
  Não obstante o Seminário querer expandir-se, para, assim, corresponder à sua finalidade, não podia fazê-lo, tanto mais que a frequência aumentava.
  Ora, como a sua maior tortura consistia, precisamente, na falta de instalações, um grupo de vimaranenses tomou a iniciativa de solicitar ao Governo, para sede de tão prestimoso estabelecimento de ensino, o convento de Santa Clara. Foram atendidos, por Decreto de 19 de Agosto de 1893.
  Pouco depois, a propósito da reforma do ensino secundário, organizava-se, em Guimarães, um movimento a favor da transformação do Seminário em Liceu.
  Realmente, por decreto de 16 de Setembro de 1896, eram satisfeitos os desejos da cidade, ficando, porém, o aumento da despesa a cargo da Câmara Municipal. Desta reorganização resultou o novo instituto passar a ser conhecido por Liceu-Seminário.
  Foi-lhe dado, a seguir, novo regime de estudos, o que lhe criou indiscutível superioridade em relação aos restantes estabelecimentos congéneres do país. Desta forma, tinha a vantagem do seu curso de preparatórios ser válido para as carreiras civis.
  Em consequência da Lei de 20 de Abril de 1911, que separava a Igreja do Estado, foi extinta a Colegiada e com ela o Seminário.
  O Liceu continuou, porém, a cargo da Câmara Municipal. Foi elevado a Central em 28 de Agosto de 1917 e por Lei de 6 de Julho de 1921 passou para o Estado.

O Convento do Carmo em "Silva Minhota", 1956 de Leonídio de Abreu Biblioteca Digital Cávado    É o largo do Carmo um dos mais espa...

O Convento do Carmo
em "Silva Minhota", 1956
de Leonídio de Abreu
Biblioteca Digital Cávado 



  É o largo do Carmo um dos mais espaçosos de Guimarães. Embora, oficialmente, se chame de Martins Sarmento, em homenagem, bem justa, ao notável arqueólogo vimaranense e glória da cultura nacional,
que naquele mesmo local viveu e morreu, a verdade é que prevaleceu, entre a maioria da gente da cidade, a sua antiga designação. Esta proveio-lhe do convento que, em honra de Santa Teresa, piedoso
anónimo mandou erguer na extinta rua da Infesta.
  Segundo o P.º Carvalho da Costa, na sua Corografia Portuguesa, a primeira pedra do edifício foi lançada solenemente no dia 26 de Março de 1685. No dia 8 de Abril do ano seguinte já na igreja se celebrava a primeira missa. Contudo, só em 13 de Março de 1687, ainda, ao que parece, com o edifício por concluir, algumas donzelas tomaram o hábito de carmelitas, como recolhidas, por a essa data não estarem confirmadas religiosas. Para tanto, necessitaram de autorização do respectivo provincial da Ordem, Frei Pedro da Purificação. Estes factos passaram-se no tempo do Arcebispo Primaz D. Luís de
Sousa, que tanto se evidenciou em Roma onde, como embaixador, defendeu o Tribunal do Santo Ofício, então calorosamente impugnado pelos cristãos novos. 
  Só, porém, em 1704, já quando a cadeira primacial de Braga se encontrava ocupada pelo glorioso Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, foi recebida a Bula de Clemente XI, autorizando aquelas recolhidas a tomarem o véu de religiosas carmelitas calçadas.
  Parece ter sido por essa época que o novo convento trocou a sua primitiva invocação pela de S. José, cuja imagem se encontra na edícula superior da portada da igreja. Como, porém, em lugar de honra do altar-mor havia a imagem de Nossa Senhora do Carmo, o povo imediatamente começou a dar esta invocação ao convento e ao templo, e daí o nome porque a nova instituição ficou a ser conhecida.
  Este convento, que tão grata memória deixou, foi extinto em 1834. Com a morte da última freira, ocorrida em 1850, passou para o Estado, que nele instalou o hospital do Batalhão de Caçadores 7, ao tempo aquartelado em Guimarães. A igreja, por sua vez, foi entregue à Confraria de Nossa Senhora do Carmo, nela erecta.
  Após a morte de D. Pedro V, e como o edifício se encontrasse devoluto pela saída de Guimarães daquela unidade militar, houve a lembrança de honrar a memória da augusta esposa de tão saudoso
monarca, instalando nele, com a denominação de Asilo de Santa Estefâánia, uma instituição destinada a prestar assistência a meninas pobres.
  Levada a pretensão junto do Governo, este deferiu-a, cedendo o convento para o fim em vista, mas a título precário, por Carta de Lei de 5 de Julho de 1862. Nele se alojou depois o Asilo, cuja criação definitiva se ficou devendo, em grande parte, à generosidade e aos esforços do prestimoso benemérito Francisco António de Almeida.
  Esta modelar obra de assistência, que tanto honra Guimarães, é oficialmente conhecida por Asilo de Infância Desvalida de Santa Estefânia, Amor de Deus e do Próximo. Tem estatutos próprios,
reformados em 1936, e neles se consigna que se destina a «albergar, sustentar, vestir, instruir e educar na mais sã moral, dentro dos princípios fundamentais do Estado Novo, a infância desvalida do sexo feminino, preparando-a para, dignamente, formar a nova sociedade».
  Em frente do convento ergue-se um elegante chafariz que, durante muitos anos, ornamentou o largo do Toural.
  Data de 1583 e foi feito segundo risco de Gonçalo Lopes, mestre de pedraria, natural de Guimarães.

Padrão da Oliveira  em "O Minho", 1957 Antologia da Terra Portuguesa  de Luís Forjaz Trigueiros  Biblioteca Digital Cávado  Recort...

Padrão da Oliveira 
em "O Minho", 1957
Antologia da Terra Portuguesa 
de Luís Forjaz Trigueiros 
Biblioteca Digital Cávado 

Recorte de fotografia 


«BERÇO VENERANDO DA MONARQUIA...»
«Se algum dia uma saudade filial do mundo antigo te nascer no coração, como um pensamento de poesia, como uma flor de Primavera, que, sem semente, vem criada a um bafo puro do Céu; se jamais saíres da sombra conhecida do teu tecto, não para ir visitar as capitais florescentes e juvenis, mas os cemitérios dos grandes povos, a Itália, a Grécia, o Egipto, a Síria; os meus votos e invejas te acompanharão, porque tu não vais, como os frívolos cortesãos e falsos amigos, embriagar-te ao banquete das nações no dia da prosperidade; vais, como piedoso romeiro, tributar calado oferenda
de suspiros aos finados, e volverás para entre teus filhos largos séculos mais velho para a sabedoria.
Pelas conchas da murça e maviosa toada de seus cantares se distingue de longe o cristão romeiro; mas tudo isso depõe ele, com o bordão, ao cabo da jornada, no canto da sua lareira. Só a melancolia grave, que é meia virtude, só as palavras de aviso, que são meia felicidade, só o desapego dos bens
movediços e cambiantes do mundo, que é no mundo o único bem possível, lhe permanecem, e o acompanham até à hora derradeira.» 
Guimarães : «Berço venerando da
Monarquia...» — A. F. de Castilho 

«Se em terra, porém, de Lusitânia abriste os olhos, se o primeiro passo que deste, descido dos braços maternos, foi em terra de Lusitânia, seja ela a que estreie os teus pés, e te afaça para as viagens longínquas. Seja o antigo Minho o primeiro que te apascente de recordações gloriosas.
Ó berço venerando da Monarquia, tão largamente rainha! não são as muitas delícias de que a Natureza te arraiou, perfumado como paraíso, não é a índole anciã dos filhos que ainda hoje crias, esses homens tão laboriosos, tão constantes, tão leais, tão Portugueses, e essas mulheres tão dignas deles, tão virtuosas, tão mulheres, não é a abundância que de teu solo e indústria dimana para toda a parte, o que mais e melhor namora a vontade ao viajante sabedor dos tempos que foram. Tu conservas ainda padrões e monumentos de nossa primeira idade...»
(«Quadros Históricos de Portugal»)

ANTÓNIO FELICIANO DE CASTILHO(1800-1875)

Castelo Guimarães   em "O Minho", 1957 Antologia da Terra Portuguesa  de Luís Forjaz Trigueiros  Biblioteca Digital Cávado  GUIMAR...

Castelo Guimarães  
em "O Minho", 1957
Antologia da Terra Portuguesa 
de Luís Forjaz Trigueiros 
Biblioteca Digital Cávado 



GUIMARÃES NA FORMAÇÃO DA NACIONALIDADE
«As terras de Portugal em que dominavam ou influíam os parciais de Afonso Henriques começaram a rebelar-se nos princípios de 1127. Entre elas Guimarães, a antiga corte do conde Henrique, declarou-se pelo infante, que aí se achava. A invasão de Afonso VII veio então impedir ou antes adiar a guerra civil. Na sua marcha vitoriosa o rei de Leão, rendidos outros castelos e povoações, pôs sítio a Guimarães;
porque ao príncipe não importava por certo se era sua tia ou seu primo que regia Porntugal; importava-lhe que esta província reconhecesse a sua autoridade suprema. Depois de alguma resistência, vendo que as suas forças não bastavam para repelir aos cercadores, os barões e cavaleiros encerrados nos muros de Guimarães declararam em nome do moço Afonso que ele se consideraria de futuro vassalo da coroa leonesa. Egas Moniz, poderoso fidalgo, cujos senhorios se dilatavam pelas margens do alto Douro e que, talvez mais que nenhum, gozava a reputação de homem leal, ficou por fiador da promessa. O rei de Leão levantou o cerco e, depois de reduzir à obediência D. Teresa, retinou-se para Galiza. Quando, porém, os sucessos de 1128 entregaram Portugal nas mãos do filho do conde Henrique, ele esqueceu as promessas de Guimarães, e com ele as esqueceram os barões portugueses. Só Egas Moniz se lembrou do que jurara. Seguido de sua mulher e filhos, dirigiu-se à corte do monarca e apresentando-se perante ele descalço e com uma corda ao pescoço, pediu para resgatar com a morte a sua palavra nunca traída. Era grande a cólera de Afonso VII; mas venceu-o aquela inaudita façanha de lealdade. Deixou-o partir solto e livre e, o que era mais para o nobre cavaleiro, sem a tacha de deslealdade.
A independência portuguesa, que por tantos anos tendera a realizar-se, retrocedia ainda uma vez; era um problema cuja solução já perto do seu termo devia tornar a ser tentada de novo. Mas as consequências da vitória obtida pelo rei de Leão, posto que graves, não eram talvez as mais de recear: o amor cego da rainha por um homem alheio à província, poderoso por alianças e parentescos com muitos ilustres
barões da Galiza e ainda de Leão e de Castela, e a importância que, além dele, obtivera em Portugal seu irmão mais velho, Bermudo Peres, o qual nos princípios de 1128 achamos dominando em Viseu, e por consequência a clientela numerosa, quer de naturais, quer de estranhos, cujos interesses seriam conformes com os dos dois irmãos, tudo servia para tornar duvidosa a sorte futura de Portugal, ligada à vontade de um valido, cujo procedimento político podia ser guiado por considerações e respeitos contrários à desejada independência do país que indirectamente governava. Se atendermos à confiança que, pouco depois, Afonso VII punha no conde Fernando Peres, e à guerra que este fez a Portugal com os outros condes de Galiza, como adiante veremos, não será demasiado violento supor que na invasão de 1127 ele contribuíria para D. Teresa dar obediência ao rei de Leão; pressuposto tanto mais provável, quanto nos consta que o principal autor da pacificação foi o antigo favorecedor do conde, o célebre Gelmires.
Tal era a situação política do País. Afonso Henriques, o moço cavaleiro, chegara à idade de dezassete anos. Era ele, segundo o testemunho de um seu contemporâneo, destro nas armas, eloquente, cauteloso e de claro engenho. Ajuntava a estes dotes, que devemos supor exagerados por se atribuírem a tão curta idade, a nobreza da figura e a beleza do rosto. A ambição do poder, o exemplo de seu primo Afonso Raimundes, a disposição dos ânimos irritados contra o predomínio de Fernando Peres, as instigações dos fidalgos, a exclusão ignominiosa em que o conservavam dos negócios públicos, tudo o excitara a colocar-se à frente de uma revolução cujas consequências, naqueles verdes anos, não era fácil prever. Tinha amigos próprios, e a principal nobreza preferia vê-lo apossar-se do mando supremo a sofrer que os estranhos e os partidários destes governassem por intervenção de D. Teresa. Como se manifestou a rebeldia e quais foram as particularidades que ocorreram nela são cousas sobre que restam sobejas fábulas, mas apenas fugitivas memórias. Parece, porém, certo que nos primeiros meses de 1128 a guerra civil, encetada no ano antecedente, se preparava de novo ou já porventura começara. As principais personagens que em Maio desse ano estavam ligadas com Afonso Henriques eram o arcebispo D, Paio, seu irmão Sueiro Mendes, denominado o grosso, Ermígio Moniz, Sancho Nunes, marido
que era ou depois foi de D. Sancha, irmã do infante, e Garcia Soares. Diante destes e doutros nobres cavaleiros de Porttugal declarava ele em Braga a sua intenção de se apossar do governo, e fazia de antemão mercês ao metropolita, contando com o auxílio dele nessa empresa.
Pelos indícios que os documentos nos ministram, o infante abandonou sua mãe, a qual talvez se achava então na corte de Afonso VII, e dirigiu-se à província de Entre Douro e Minho no mês de Abril. A revolução parece ter rebentado naquela província, dilatando-se pelo distrito de Guimarães, pelo condado de Refoios de Lima, pelo território de Braga e pelas terras, enfim, dos nobres que seguiam a parcialidade do infante. A suspeita da ausência de D. 'Teresa na ocasião do alevantamento adquire maior probabilidade, se atendermos a que só quase três meses depois os dois partidos vieram a uma batalha, que foi decisiva e fatal para a rainha. De feito, esta, tendo marchado para Guimarães com as tropas dos fidalgos galegos e dos portugiueses seus partidários, aí se encontrou com o exército do infante no campo de S. Mamede junto daquela povoação. Foi desbaratada D. Teresa e fugiu: nesta fuga, porém, perseguida pelo filho, ficou prisioneira com muitos dos seus. A tradição refere que Afonso Henriques
a lançara carregada de cadeias no castelo de Lanhoso. Não desdiz essa tradição dos costumes ferozes do tempo; mas desdiz dos monumentos coevos, que mão a autorizam. O que é certo é que num só dia de combate o poder supremo, que o moço príncipe tanto ambicionava, lhe caíra nas mãos.»
(«História de Portugal»)

NO CASTELO DE GUIMARÃES
«Estão reunidos em assembleia-grande os barões e ricos-homens de Entre Douro e Minho e os cavaleiros estrangeiros que com Fernão Peres vieram para o Condado de Portugal. E é animado e tempestuoso o conselho e o senhor estranho sabe que, por ele e pela Infanta de Portugal, só estão, de corpo e alma, os estrangeiros que com ele vieram.
A hoste do moço Infante aproxima-se de Guimarães e vem em som de guerra. É Garcia Bermudes que o vai anunciar ao Senhor de Trava e juntos combinam reter dentro dos muros do Castelo os partidários do Infante. 
  No coração da Infanta, em que lutavam dois amores, o materno é vencido, D, Teresa sofreu já combates, passou noites sem sono, cavalgou dias inteiros. O seu coração não conhece o medo, o seu corpo, o cansaço. Se algo a fazia tremer e sofrer, era dor de ver irmãos contra irmãos, de saber que o filho contra ela ousara pegar em armas. Agora que o Infante avança em som de guerra, agora que o Infante à face do Condado inteiro se ergue contra sua mãe, ela deixa de o ser. Não é mais a mãe de Afonso Henriques, é só a Infanta de Portugal que defende os senhorios deixados por seu marido.
  A conversa entre o Senhor de Trava e Garcia Bermudes é escutada pelo Bobo que escarnece ambições e amores. Garcia Bermudes, no seu amor infeliz, é uma das suas vítimas.
  Mas o que se perdoa quando a alma está tranquila é ofensa mortal quando o coração sofre.
  «Que sejas açoutado pelos meus cavalariços» — ordena Fernão Peres de Trava.
  O Bobo sofre amargamente pela injúria: mandá-lo açoutar a ele, D. Bibas, mimoso do Conde D. Henrtique!
— Ah! Conde maldito, pagarás cara a afronta! Hoje ris, mas ainda virá o dia em que chores e então não te valerão lágrimas ! 
  Misteriosamente, todo embuçado, um peão pede para falar a Gonçalo Mendes, Senhor da Maia. A sós, revela-lhe que é Egas Moniz Coelho que volta da Terra Santa e que, por seus olhos, queria certificar-se do que de Gonçalo Mendes se dizia no arraial do Infante: que a estada em Guimarães mostrava que o Lidador enra de D. Teresa e traíra o seu príncipe.
  E Gonçalo Mendes revela-lhe que até ao fim, até à perda da última esperança procurara evitar aquela atroz guerra de irmãos. Que quando o momento de combater chegasse, lá o encontrariam, a si e aos seus homens de armas, no arraial do Infante.
  Mais que certificar-se da lealdade de Gonçalo Mendes queria Egas Moniz ouvir da boca de Dulce a verdade sobre o seu amor. Tinham-lhe chegado à Terra Santa novas de que a donzela o esquecera. Acreditara. Mas queria que ela própria lho dissesse. 
  Arriscava, talvez, a sua vida naqueles paços, ele a quem Fernão Peres odiava com o mesmo ódio implacável que votava a seu tio, o velho aio Egas Moniz. 
  E Egas vai ter com Dulce onde julga que a poderá, talvez, achar: a um jardim, onde outrora muitas vezes se encontravam, de que ele ainda conservava a chave.
  E lá encontra Dulce, e ali sabe que ela durante a ausência lhe guardara o mesmo amor e que, para o seguir, estava disposta a abandonar a própria Infanta de Portugal que a criara e lhe queria como filha.
  Terminara o banquete em que, depois da cúria, se tinham reunido os barões e ricos-homens. D. Teresa a ele presidira como rainha que não conhece o medo. A ela lhe competia também castigar e premiar. Começaria pelo prémio. A Garcia Bermudes, a quem muito devia e de cujos serviços muito
ainda tinha a esperar, oferecia a mão de Dulce, sua filha adoptiva. O cavaleiro estremece: o conde de Trava cumprira a promessa mas Dulce está pálida, tão pálida! A sua felicidade vai rasgar-lhe o coração. E Garcia Bermudes ama mais Dulce que a si próprio.
  E recusa a oferta da Infanta D, Teresa. 
  Gonçalo Mendes quer sair dos Paços de Guimarães. Mas as saídas estão guardadas. O Lidador é prisioneiro do conde de Trava. Mas eis que alguém o procura: é o Bobo, o infeliz D. Bibas, a quem Fernão Peres não perdoara uma graça e mandara açoutar pelos seus cavalariços.
  O Bobo, que é fraco e nada tem de seu, oferece ao poderoso senhor da Maia um presente de rei: a saída do Castelo. Ele conhece uma passagem secreta, ele conduzirá Gonçalo Mendes e os seus homens para fora do Castelo de Guimarães.»
(«O Bobo») ~
ALEXANDRE HERCULANO(I800-1878)

Fiandeiras do Linho em "Minho: cartaz típico: (prosa e verso), 1961 de Manuel Celso da Silva Cunha  Biblioteca Digital do Cávado  ...

Fiandeiras do Linho
em "Minho: cartaz típico: (prosa e verso), 1961
de Manuel Celso da Silva Cunha 
Biblioteca Digital do Cávado 



"(...) A saia de sirguilha, como o avental, com a sua barra de cor preta o colete de rabos, preto com bordados a cores. Camisa de gola larga bordada, cruzando no peito o lenço de ramagens. Faixa preta rematando em renda, chinela preta de bico estreito e arrebitado, meias até ao joelho de renda branca e brincos compridos até aos ombros, cordão de ouro com cruz e coração de filigrana. Os trajos típicos da região de GUIMARÃES diferem em beleza com os do resto do MINHO."
.

Grupo Folclórico do Centro Social de Vila Nova de Sande  Fundado em 1978 Fonte: GFCSVNS(Facebook)

Grupo Folclórico do Centro Social de Vila Nova de Sande 
Fundado em 1978
Fonte: GFCSVNS(Facebook)




















Grupo Folclórico da Casa do Povo de Briteiros  Fonte:  discogs.com   1976 1976

Grupo Folclórico da Casa do Povo de Briteiros 
Fonte: discogs.com 

1976

1976


17º Festival Folclórico Internacional de S. Torcato 24 de Julho de 1977  Fonte: olx.pt  Recorte de cartaz 

17º Festival Folclórico Internacional de S. Torcato
24 de Julho de 1977 
Fonte: olx.pt 

Recorte de cartaz 



Festada de Guimarães  em "Minho: cartaz típico: (prosa e verso), 1961 de Manuel Celso da Silva Cunha  Biblioteca Digital do Cávado    ...

Festada de Guimarães 
em "Minho: cartaz típico: (prosa e verso), 1961
de Manuel Celso da Silva Cunha 
Biblioteca Digital do Cávado 


 
"(...) Assim verificamos pela descrição de Alfredo Guimarães no « GUIA DE TURISMO » a graciosidade do vestuário vimaranense, que, diga-se de passagem, é inédito e admirável.
— O homem, de camisa de linho bordada, colete de « peluche », faixa preta, calça de casimira, chinela de bezerro; a mulher, de camisa e colete de linho bordados, várias saias, avental com vidrilhos,
meias brancas, chinelas de verniz e lenço com ramagens.
Estes trajos ainda são usados em festividades oficiais, romarias típicas e pelos componentes da «FESTADA DE GUIMARÃES » que fiel à tradição, reza e canta com a alma e com a boca a beleza
eterna do MINHO.
As canções Minhotas são eloquentemente sadias e cantadas por bocas radiosas de formosas moçoilas. Há uma infinidade de canções, todas elas como rosários que se desfiam por essas povoações
ao som de instrumentos típicos."

Festada de Guimarães, 1961  Festa das Cruzes em Barcelos  Fotografias de Octávio Lixa Filgueiras  Centro Português de Fotografia 

Festada de Guimarães, 1961 
Festa das Cruzes em Barcelos 
Fotografias de Octávio Lixa Filgueiras 
Centro Português de Fotografia 









Estação Ferroviária de Guimarães, 1973  Traynes Transport Collectables  Fonte: Ebay 

Estação Ferroviária de Guimarães, 1973 
Traynes Transport Collectables 
Fonte: Ebay 





Estação Ferroviária de Guimarães, 1972  Traynes Transport Collectables  Fonte: Ebay 

Estação Ferroviária de Guimarães, 1972 
Traynes Transport Collectables 
Fonte: Ebay 



Apeadeiro de S. Torcato, 1967 S. Mamede de Aldão Trotskee Travel  Fonte: Ebay 

Apeadeiro de S. Torcato, 1967
S. Mamede de Aldão
Trotskee Travel 
Fonte: Ebay 





Estação Ferroviária de Guimarães, 1967 Trotskee Travel  Fonte: Ebay 

Estação Ferroviária de Guimarães, 1967
Trotskee Travel 
Fonte: Ebay 




Estação Ferroviária de Lordelo, 1967 Trotskee Travel  Fonte: Ebay 

Estação Ferroviária de Lordelo, 1967
Trotskee Travel 
Fonte: Ebay