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Um Turista Italiano em Guimarães, Julho de 2003  por Filippo Piazza  flickr.com 

Um Turista Italiano em Guimarães, Julho de 2003 
por Filippo Piazza 
flickr.com 















Convento de Santa Clara, 1962/64  Câmara Municipal de Guimarães  por Robert Chester Smith(1912-1975) Biblioteca de Arte Fundação Calouste Gu...

Convento de Santa Clara, 1962/64 
Câmara Municipal de Guimarães 
por Robert Chester Smith(1912-1975)
Biblioteca de Arte Fundação Calouste Gulbenkian 




Liceu Martins Sarmento, c1945  Convento de Santa Clara  Fundo Armando Leça  Arquivo Municipal de Matosinhos 

Liceu Martins Sarmento, c1945 
Convento de Santa Clara 
Fundo Armando Leça 
Arquivo Municipal de Matosinhos 





O Liceu-Seminário de Guimarães  em "Silva Minhota", 1956 de Leonídio de Abreu Biblioteca Digital Cávado    Entre os edifícios anti...

O Liceu-Seminário de Guimarães 
em "Silva Minhota", 1956
de Leonídio de Abreu
Biblioteca Digital Cávado 


  Entre os edifícios antigos de Guimarães, dignos de referência especial, figura o do extinto convento de Santa Clara, onde actualmente se encontra instalado o Liceu que teve como patrono o eminente arqueólogo e vimaranense ilustre que foi o Dr. Francisco de Martins Sarmento.
  Está situado na rua Santa Maria, uma das mais típicas e curiosas artérias da cidade.
  Atribue-se a sua fundação, em 1548, a Baltazar Andrade, Mestre-escola da Colegiada Vimaranense, mas a primeira pedra do edifício só por ele foi lançada no dia 29 de Setembro de 1559. O acto ter-se-ia revestido do maior cerimonial, porquanto assistiram, além do Cabido local, o clero secular e regular e outras corporações religiosas de Guimarães.
No dia 12 de Agosto de 1562, entravam no convento as primeiras religiosas que, por sinal, eram filhas do próprio Baltazar Andrade e provinham do mosteiro de Santa Clara de Amarante: Helena, Joana e
Clara Andrade.
Este convento estava sujeito, imediatamente, ao Arcebispo Primaz de Braga, que, por um Breve do Papa Clemente VIII, não podia subdelegar em qualquer outra pessoa a jurisdição da visita.
O Agiológio Lusitano apresenta-o como extremamente pobre, onde «padeciam as religiosas necessidades, ainda no preciso sustento». Narra, a propósito, com o fim de realçar as virtudes da primeira Abadessa, Soror Helena da Cruz, dois casos extraordinários ali passados, devidos à falta, respectivamente, de pão e de azeite.
  Como a freira encarregada da despensa se lamentasse de não ter pão para dar à comunidade, a Abadessa tranquilizou-a, dizendo-lhe:
  -Não se incomode, Madre, que achará todo o pão necessário para o jantar, no lugar em que costuma recolhê-lo.
  De facto, indo ao armário, foi com manifesto regozijo e grandes louvores a Deus que encontrou todo o pão de que precisava.
  Com o azeite, o caso foi semelhante.
  É claro que estes factos, se verdadeiros, teriam contribuido imenso para envolver a Abadessa num ambiente do mais elevado prestígio que permitiria aumentar o orgulho que a restante comunidade revelava pela regra seguida na instituição.
  Lá que esta deixou boa fama de si, é inegável. Até em certas ocasiões era escolhida para retiro ou clausura de religiosas de outras casas, mesmo de Ordens diferentes, quando as circunstâncias impunham
essa necessidade.
  Helena da Cruz morreu em 4 de Agosto de 1590.
  O convento de Santa Clara exerceu notável influência em Guimarães, pois tornou-se, pela compostura das suas religiosas, muito respeitado e estimado e até preferido pelas filhas das principais famílias que pretendiam ingressar na vida monástica.
  Possuia uma igreja bastante valiosa pelas obras de arte que encerrava, de entre as quais sobressaia finissima talha policromada. Era azulejada e de tecto apainelado.
  Uma pequena parte do seu precioso recheio encontra-se hoje no Museu Reglonal de
Alberto Sampaio. A talha, porém, cedida, em tempos, para a igreja da Penha ardeu quando do incêndio que destruiu o santuário.
Lamentável foi que a igreja de Santa Clara não tivesse subsistido ao vandalismo a que a sujeitou uma época verdadeiramente iconoclasta. Bem merecedora disso era, especialmente pelas suas tradições religiosas, muitas das quais estavam ligadas à história da própria cidade de Guimarães. No mesmo local, foi, mais tarde, construido um ginásio...
  O convento, a princípio de proporções modestas, foi melhorado e ampliado em épocas sucessivas.
  Da fachada, em estilo barroco, destacava-se, ao centro, um nicho com a imagem de Santa Clara. Esta fachada foi executada, em 1741, pelo mestre de pedraria José Moreira que já, em 1735, construira o
claustro - interessante quadratura de dois corpos, de tipo acentuadamente clássico.
  O convento de Santa Clara, que chegou a albergar sessenta e duas religiosas, teve a mesma sorte dos restantes do país: foi extinto em 1834. Em 1887, ainda ali residia uma freira a quem o Arcebispo Freitas Honorato, no dia 15 de Novembro, ministrou a comunhão quando ali celebrou missa, na extinta igreja.
  Embora a Carta de Lei de 16 de Junho de 1848 autorizasse o Governo a extinguir as Colegiadas, as insignes, como a de Guimarães, eram mantidas. Contudo, por Decreto de 1 de Dezembro de 1869, foram todas suprimidas.
  Evidentemente que esta medida radical causou a mais dolorosa impressão aos vimaranenses que na Insigne e Real Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira tinham, e com justificada razão, um dos seus
maiores titulos de glória.
  Não faltaram representações ao Governo, tanto de entidades oficiais como particulares, valiosamente auxiliadas pelo Arcebispo Primaz D. António José de Freitas Honorato.
  Apesar dos resultados de tudo isto se não terem feito sentir imediatamente, o entusiasmo dos vimaranenses não afrouxou. Persistiram sempre e ao cabo de vinte e um anos conseguiram o que desejavam.
De facto, por Carta de Lei de 14 de Setembro de 1890, o Governo era autorizado a conservar e a reorganizar a Colegiada, devendo, porém, aplicar-se uma parte dos seus avultados rendimentos à manutenção de um instituto de instrução pública e gratuita denominado Pegueno Seminário
de Nossa Senhora da Oliveira e destinado a preparatórios do Curso Teológico.
  O quadro do pessoal seria constituido pelo Dom Prior, que presidiria e exerceria as funções paroquiais na igreja; e por dez colegiais, tendo sete o título de cónegos e os restantes de beneficiados. Áqueles e a um dos beneficiados era imposta a obrigação do ensino.
  O Arcebispo, que disso ficara encarregado, elaborou os estatutos não só da Colegiada como do Seminário, os quais foram aprovados pelo Governo, em 30 de Setembro de 1891. No entanto, três dias antes eram nomeados os cónegos que automáticamente se encarregariam do ensino no Seminário. Este ficou instalado, em condições deficientíssimas, no edifício do Priorado. Mal dispunha de acomodações para o internato de dezoito estudantes quanto mais para aulas. 
  Em face disto, foi alugada uma casa no largo de S. Tiago, onde as aulas passaram a funcionar.
  Ali se fez, em 29 de Novembro do mesmo ano, a inauguração do novo Seminário, a qual se revestiu do maior brilhantismo, pois ao acto assistiram Suas Majestades El-Rei D. Carlos e a Rainha D. Amélia, o Chefe do Governo, Conselheiro João Franco, o Arcebispo Primaz D. António José de Freitas Honorato e outras individualidades de acentuado relevo na vida da Nação.
  A abertura das aulas efectuou-se no dia 7 de Dezembro, com cento e vinte e sete alunos matriculados nas diferentes disciplinas. Os sete cónegos professores eram: Dr. Manuel de Albuquerque, Dr. António
Júlio de Miranda, Dr. Pedro Gonçalves Sanches, Dr. Manuel Moreira Júnior, Manuel José da Silva Bacelar, Alberto da Silva Vasconcelos e José Maria Gomes. O primeiro desistiu, sendo substituido pelo cónego António José Gomes Cardoso.
  Não obstante o Seminário querer expandir-se, para, assim, corresponder à sua finalidade, não podia fazê-lo, tanto mais que a frequência aumentava.
  Ora, como a sua maior tortura consistia, precisamente, na falta de instalações, um grupo de vimaranenses tomou a iniciativa de solicitar ao Governo, para sede de tão prestimoso estabelecimento de ensino, o convento de Santa Clara. Foram atendidos, por Decreto de 19 de Agosto de 1893.
  Pouco depois, a propósito da reforma do ensino secundário, organizava-se, em Guimarães, um movimento a favor da transformação do Seminário em Liceu.
  Realmente, por decreto de 16 de Setembro de 1896, eram satisfeitos os desejos da cidade, ficando, porém, o aumento da despesa a cargo da Câmara Municipal. Desta reorganização resultou o novo instituto passar a ser conhecido por Liceu-Seminário.
  Foi-lhe dado, a seguir, novo regime de estudos, o que lhe criou indiscutível superioridade em relação aos restantes estabelecimentos congéneres do país. Desta forma, tinha a vantagem do seu curso de preparatórios ser válido para as carreiras civis.
  Em consequência da Lei de 20 de Abril de 1911, que separava a Igreja do Estado, foi extinta a Colegiada e com ela o Seminário.
  O Liceu continuou, porém, a cargo da Câmara Municipal. Foi elevado a Central em 28 de Agosto de 1917 e por Lei de 6 de Julho de 1921 passou para o Estado.

Visita pela Cidade, 26 de Maio de 1907  Passeio do Colégio do Espírito Santo de Braga  em "Relatório Annual do Collegio do Espirito San...

Visita pela Cidade, 26 de Maio de 1907 
Passeio do Colégio do Espírito Santo de Braga 
em "Relatório Annual do Collegio do Espirito Santo, 1907" 
Biblioteca Digital do Cávado 


Edifício Bombeiros Voluntários

S. Miguel do Castelo 

Quartel Militar Infantaria 20

Hospital Misericórdia 



Rua Condestável Nuno Álvares Pereira, 2003  Fotografia de Francisca Rigaud  Centro Português de Fotografia 

Rua Condestável Nuno Álvares Pereira, 2003 
Fotografia de Francisca Rigaud 
Centro Português de Fotografia 




Claustro do Convento de Santa Clara, 2003  Câmara Municipal de Guimarães  Fotografia de Francisca Rigaud  Centro Português de Fotografia 

Claustro do Convento de Santa Clara, 2003 
Câmara Municipal de Guimarães 
Fotografia de Francisca Rigaud 
Centro Português de Fotografia 






Convento de Santa Clara, 2003  Câmara Municipal de Guimarães  Fotografia de Francisca Rigaud  Centro Português de Fotografia 

Convento de Santa Clara, 2003 
Câmara Municipal de Guimarães 
Fotografia de Francisca Rigaud 
Centro Português de Fotografia 








Alunos do Seminário-Liceu de Guimarães, 1903  Convento de Santa Clara  em "Cardeal Cerejeira", Círculo de Leitores, 2002  Fonte: a...

Alunos do Seminário-Liceu de Guimarães, 1903 
Convento de Santa Clara 
em "Cardeal Cerejeira", Círculo de Leitores, 2002 
Fonte: artbid.pt/pt 



Convento de Santa Clara (Liceu) Oliveira, 27 de Setembro de 1919 Fotografia de Jorge Marçal da Silva(1878-1929) Arquivo Municipal de Lisboa ...

Convento de Santa Clara (Liceu)
Oliveira, 27 de Setembro de 1919
Fotografia de Jorge Marçal da Silva(1878-1929)
Arquivo Municipal de Lisboa 

Recorte de estereoscopia


Liceu de Guimarães, ano lectivo 1936/37 Fotografia de Domingos Alves Machado Fonte: flaviacardososoaresleiloes.com.br 

Liceu de Guimarães, ano lectivo 1936/37
Fotografia de Domingos Alves Machado
Fonte: flaviacardososoaresleiloes.com.br 




Sala de Santa Clara, 1962/64  Museu de Alberto Sampaio por Robert Chester Smith(1912-1975) Biblioteca de Arte Fundação Calouste Gulbenkian  ...

Sala de Santa Clara, 1962/64 
Museu de Alberto Sampaio
por Robert Chester Smith(1912-1975)
Biblioteca de Arte Fundação Calouste Gulbenkian 

Colagem de fotografias

Pintura de Manuel Gomes Andrade, 1733-34 
Talha e Ilhargas por Ambrósio Coelho, 1731-32 
Proveniência Convento de Santa Clara

Pintura de Manuel Gomes Andrade, 1733-34 
Talha e Ilhargas por Ambrósio Coelho, 1731-32 
Proveniência Convento de Santa Clara

Pintura de Manuel Gomes Andrade, 1733-34 
Talha e Ilhargas por Ambrósio Coelho, 1731-32 
Proveniência Convento de Santa Clara

Pintura de Manuel Gomes Andrade, 1733-34 
Talha e Ilhargas por Ambrósio Coelho, 1731-32 
Proveniência Convento de Santa Clara

Pintura de Manuel Gomes Andrade, 1733-34 
Talha e Ilhargas por Ambrósio Coelho, 1731-32 
Proveniência Convento de Santa Clara

Capa de Missal

Anjo tocheiro, escultura de madeira de castanho, dourada e policromada
Pintura e  concepção de Manuel Gomes Andrade e Ambrósio Coelho, 1731-32 
Proveniência Convento de Santa Clara

Fuga para o Egipto, escultura de madeira de castanho, dourada e policromada
Pintura e  concepção de Manuel Gomes Andrade e Ambrósio Coelho, 1751-1800
Proveniência Convento de Santa Clara

Apóstolos(friso), madeira de castanho, dourada e policromada, Séc. XVII
Proveniência Convento de Santa Clara